Sou bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (2011) pela Faculdade Cásper Líbero, mestre em Divulgação Científica e Cultural (2018) pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor/Unicamp) e doutor em Ciências Sociais (2025) pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/Unicamp).
Como pesquisador, sou membro do Grupo de Antropologia do Policiamento e da Segurança (GAPS/Unicamp) e integrante do projeto de pesquisa "Police Unions in the Global South and Democratic Security", vinculado ao Centre for Criminology and Sociolegal Studies, da Universidade de Toronto. Meus interesses de pesquisa estão na área da antropologia do policiamento, com estudos sobre trabalho e politização na segurança privada e na segurança pública, a partir de abordagens qualitativas, especialmente entrevistas e etnografias.
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Na graduação, escrevi como Trabalho de Conclusão de Curso o livro-reportagem Falar demais é bobagem - a década de Walter Franco. Nele, proponho uma investigação jornalística sobre o surgimento do artista e compositor paulistano na década de 1970. A partir de entrevistas inéditas e incursões por acervos da imprensa, recupero detalhes narrativos sobre como o público lidou com sua aparição em festivais e como se deu a produção de suas obras mais relevantes.
No mestrado, com a dissertação Vigiar e contra-vigiar: como polícia e sociedade criam suas narrativas a partir de imagens, investigo como a gravação de ações policiais por cidadãos se tornou comum, impulsionando o videoativismo e uma sensação de empoderamento social por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Em resposta, as próprias polícias também produzem registros audiovisuais, como vídeos de smartphones e body cams, para disputar narrativas e construir suas versões dos fatos. A partir de um debate teórico articulado com os Surveillance Studies (Estudos de Vigilância), com essa pesquisa procuro deslocar a noção de vigilância de um lugar inerte para um lugar móvel, onde as assimetrias observadas não são mais rígidas, e sim essencialmente relacionais conforme a posição que se ocupa. Em outras palavras, argumento que a tática de "filmar de volta", ou contra-vigiar, é hoje uma ferramenta de defesa e ataque que pode ser usada por diferentes grupos em circunstâncias variadas, impossibilitando a delimitação de papéis fixos entre vigilantes e vigiados.
Por fim, no doutorado, analiso a construção da identidade profissional dos vigilantes patrimoniais privados, destacando como esses trabalhadores, enquanto indivíduos, grupos e coletivos, se associam e criam montagens de diversas naturezas, com diferentes propósitos, levando em conta o panorama geral da profissão. Na tese Profissão-vigilante: politização e trabalho na segurança privada, proponho uma abordagem qualitativa, utilizando entrevistas, notas etnográficas, materiais de imprensa, documentos oficiais e conteúdos produzidos e compartilhados pelos próprios vigilantes em redes sociais e em aplicativos de mensagens, e analiso como esses trabalhadores se relacionam com articulações de natureza sindical e político-partidária, bem como se apoiam mutuamente no fortalecimento de seu grupo profissional. Dentre outras questões, destaco a crescente politização do trabalho policial, na qual os vigilantes se inspiram; a disseminação de tecnologias que proporcionam espaços de trocas entre esses trabalhadores; e a assimilação da segurança como um assunto central na tomada de decisões políticas e econômicas num país como o Brasil.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/6495650585381221
Scholar: https://scholar.google.com/citations?user=CKw8CbMAAAAJ&hl=pt-BR
ORCiD: https://orcid.org/0000-0002-5999-843X
Publicações:
DURÃO, S. S. B ; ARGENTIN, P. ; VITURI, Gabriel . Quem responsabilizar? Casos de violência letal e racismo em espaços comerciais no Brasil. Revista Estudos da Condição Humana, v. 2, p. 1-24, 2024.
BRASIL, G. M.; DURÃO, S.; SOUZA, A.P.; VITURI, G.C.; CRUZ, L.A. Efeitos da pandemia na Polícia Militar: vulnerabilidades das polícias e do policiamento no Brasil. Revista Dilemas IFCS-UFRJ, v. 16, p. e51834, 2023.
VITURI, Gabriel Cunha (2018). Vigiar e contra-vigiar: como polícia e sociedade criam suas narrativas a partir das imagens. (Dissertação) Mestrado em Divulgação Científica e Cultural, Unicamp.
VITURI, Gabriel. Guerra de Imagens: a Polícia MIlitar de SP sob vigilância. In: IV Simpósio Lavits - ¿Nuevos paradigmas de vigilancia? Miradas desde América Latina, 2016, Buenos Aires. ¿Nuevos Paradigmas de la Vigilancia? Miradas desde América Latina., 2016.
Outros
Fonte para reportagem: Uso das câmeras corporais pela PM reduz letalidade policial, mas flexibilização impacta indicadores, mostra levantamento. TV Todo Dia, maio de 2025. Disponível em: https://tododia.com.br/especiais/uso-das-cameras-corporais-pela-pm-reduz-letalidade-policial-mas-flexibilizacao-impacta-indicadores-mostra-levantamento/
Debate: Câmeras em foco: estudos de câmeras corporais nas forças policiais. Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), maio de 2023. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Jt2XkrPaSDw
Colaboração acadêmica: Câmeras corporais na segurança pública no Brasil: diagnóstico sobre o uso secundário de dados de forma justa. Data Privacy Brasil, novembro de 2024. Disponível em: https://www.dataprivacybr.org/relatorio-cameras-corporais-na-seguranca-publica-no-brasil/
Entrevista: O outro lado das bodycams. Dadocracia, ep.109 (podcast), agosto de 2022. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/5P3F6fbNIjeGqQLTHrdiqW?si=KPb7ixFQTxGByIVQAgzrDA